Cultivando em Lã de Rocha da Cultilene

Vamos começar falando um pouco sobre a lã de rocha para que todos saibam como surgiu.

1. Historia da lã de rocha:

A lã de rocha é um produto que foi descoberto no Século XX no Havaí mediante a observação da ação natural dos vulcões. A partir desse momento consegue-se criar o produto na Dinamarca pela empresa Rockwool lançando ao mercado o primeiro standard de lã de rocha como é conhecida hoje em dia. Para a criação de lã de rocha tal como a temos presente hoje em dia antes se devem realizar diferentes processos artificiais. Uns dos quais é a fundição da rocha basáltica em fornos a 1600 ºC emulando a ação do vulcão deixando a rocha em estado natural de lava liquida.

Para obter as fibras aplica-se á lava um ligante orgânico que depois de uns processos mecânicos na que atuam a força centrifuga obtém-se como resultado um colchão de lã. Esta lã comprime-se deixando mais ou menos oxigenação entre as fibras segundo o uso que for ter esta já sejam para isolante acústico, térmicos, corta fogos e finalmente o uso na agricultura (hidroponia principalmente).

 

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2. Vantagens de cultivar em lã de rocha:

No cultivo convencional de plantas no solo, grande parte d’água fornecida por irrigação é perdida por evaporação ou por escorrimento superficial, levando junto os nutrientes contidos no solo. O sistema hidropônico da lã de rocha é um sistema fechado e toda água contida nele é fornecida para as plantas e a perda por evaporação e muito baixa e por escorrimento não existe. Com isso há uma otimização no uso d’água e nutrientes da solução nutritiva.

Com o sistema de lã de rocha os vegetais se desenvolvem até 3 ou 4 vezes mais rápido. Além disso, os vegetais podem ser cultivados em densidade 5 vezes maior que no sistema convencional. Isso ocorre, pois em hidroponia são dadas condições plenas d’água, nutrientes e oxigênio para que a planta se desenvolva com sua máxima capacidade. Isto torna possível o cultivo hidropônico em apartamentos e em pequenos lugares.

Por ser cultivado em ambiente protegido, não há trabalho com capina, pouca sujeira, poucas aplicações de inseticidas ou fungicidas. Basicamente a única manutenção envolvida é o monitoramento da solução nutritiva e a colheita.

Os cultivos com lã de rocha são realizados em ambiente protegido e sem solo, deste modo não nascem plantas daninhas. Sem plantas daninhas não há necessidade de aplicação de herbicidas e facilita a neutralização de pragas, principalmente de fungos que se aproveitam da terra e outros insetos que precisam colocar seus ovos em substratos orgânicos.

 

3Como estabilizar à lã de rocha:

O substrato de lã de rocha é um produto o qual será preciso tratar antes de sua utilização. Tem que se estabilizar o pH para puder iniciar o cultivo sem problemas dado que seu pH inicial é bastante alcalino, perto do 7,5.

Devemos de submergir os Slabs ou Big Blocks numa solução nutritiva que contenha um pH de 4,5 com uns níveis de CE de 0,5-0,6 MS (Milisiemens) ideal para começar o cultivo desde sementes sem temor que estas tenham falta de nutrientes no começo. Deixaremos estes por 12 horas na solução nutritiva.

O pH dos Slabs ou Big Blocks ao começo do cultivo deveram estar num pH de 5,5, senão for o caso, deveríamos submergir os Slabs ou Big Blocks novamente durante umas horas mais e ir controlando o pH até que este sê estabilize.

Um método simples e fácil de saber se os Slabs estão estabilizados é irrigar com água a ph 5.5 e medir o excesso da irrigação  com um medidor de ph. Se o excesso tem um ph de 5.5 será o momento de proceder a semear as sementes.

 

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4. Como germinar sementes em lã de rocha:

Antes de proceder á germinação das sementes deveremos de haver estabilizado os blocos da lã de rocha durante 12-24h num balde com uma solução nutritiva a pH 4,5 igual que com os Slabs ou Big Blocks para deixar num pH 5,5 ideal para começar o cultivo das plantas em crescimento.

A germinação a realizaremos diretamente nas bandejas de lã de rocha que contem pequenos blocos (células) de 2,5 x 2,5 cm ou 3,5 x 3,5 cm. Para ter sucesso na germinação de todas as sementes é conveniente ter as bandejas uma estufa de propagação para puder manter a umidade constante e assim facilitar a germinação das sementes. Tem que lembrar que os blocos de lã de rocha tem que estar já estabilizados a um pH de 5,5. Quando a semente já esteja germinada e comece a crescer transplantaremos estas aos Slabs ou Big Blocks.

Para transplantar as sementes deveremos ter cuidado com a raiz para não quebrar esta, quando for a anexar os pequenos blocos das bandejas de 2,5 x 2,5 ou 3,5 x 3,5 cm aos blocos grandes (Stone Wool) de 7,5 x 7,5 x 6,5 ou 10 x 10 x 6,5 que vão anexos aos Slabs como se mostra na foto. Pressionamos realizar esta operação com cuidado até que o pequeno bloco fique bem enxertado no bloco grande de lã de rocha de 7,5 x 7,5 x 6,5 cm ou no de 10 x 10 x 6,5.

 

5. Como fazer estacas em lã de rocha:

O processo para realizar estacas ou clonex é muito similar a outros métodos de propagação ou estaquia como pode ser em jiffi ou coco.

Depois do processo de pré-clonagem dos clonex ou estacas e uma vez tenhamos os primeiros galhos trabalhados e preparados os fixaremos com cuidado nos blocos de lã de rocha de 4 x 4 cm já estabilizados a pH 5,5 de modo que não fique muita umidade retida nos blocos para evitar apodrecimento dos caules.

Uma vez fixados nos blocos de 4 x 4cm  os trataremos igual que se foram tido feitos em jiffis, controlando a umidade cada dia, pulverizando os blocos e mantendo uma umidade e temperatura constante nos blocos para facilitar o enraizamento. É recomendável realizar este processo uma estufa de propagação igual que com as sementes, pois fica mais fácil de manter os parâmetros constantes. Há medida que passam os dias iremos rebaixando a umidade relativa até que finalmente tiremos a tampa da estufa de propagação e assim os clonex ou estacas não sofram estresse hídrico em contraste com o exterior.

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6. Como cultivar em lã de rocha:

Para realizar um cultivo em lã de rocha começando de sementes o primeiro que devemos fazer é estabilizar todas as lãs a serem usadas. O pH deve ficar estabilizado com uma CE inicial de 0,5-0,6 utilizando durante esta primeira semana de crescimento não mais de dois irrigações de 1 minuto de duração com uma dosagem de uns 100-150 ml por planta. De este modo facilitaremos a expansão radicular das plantas dado que a lã de rocha absorve e retém muita quantidade d’água.

Para facilitar as tarefas de irrigação será de muita ajuda usar um sistema de irrigação automático de montagem simples como o que se mostra na foto, um sistema de cultivo hidropônico formado de Librabaks, uma bandeja hidropônica feita especialmente para cultivar com lã de rocha.

A quantidade de irrigação inicial a poderemos manter até entrar na primeira semana de floração com um pH de 5,5 o qual podemos variar passados os primeiros 5 dias de crescimento. Posteriormente faremos flutuar pouco a pouco o pH até 5,8 e o deixaremos em 5,9 durante o transcurso da primeira semana de floração trás a troca do fotoperiodo. Caso as condições de cultivo variem também podem variar as dosagens da irrigação.

A partir da segunda semana de floração e até finais da terceira aumentaremos o numero de irrigações dos mesmos realizando 3 irrigações. A primeira delas de 2 minutos de duração irrigando quando comece a etapa diurna para que as plantas não fiquem sem alimentos recém começa o dia pra elas. A segunda irrigação será de 1 minuto realizando esta 6 horas após a primeira irrigação com uma CE de 0,8-0,9 e um pH de 6,0.

Começando a 4º semana e até finais da 5º semana de floração se voltaram a aumentar as irrigações a 4 ao dia. A primeira e ultima irrigação a realizaremos de 2 minutos cada uma e as outras duas irrigações serão de 1 minuto repartidas por igual durante o período diurno. Os níveis de CE ficarão em 1,0 e 1,2 MS (Milisiemens) sempre tendo em conta o estadio das plantas. O pH o manteremos em 6,0 deixando flutuar até 6,2 para voltar a rebaixar com pH down até 6,0 novamente.

Durante a 6º semana voltaremos a aumentar as irrigações passando de 4 para 6 ao dia. A primeira e a ultima irrigação terão uma duração de 2 minutos e as outras 4 irrigações restantes serão de 1 minuto deixando a EC 1,4 MS. O pH segue flutuando de 6,0 a 6,2 como na semana anterior. Na sétima semana de floração manteremos os mesmos numero de irrigações e dosagens. Nesta semana podemos aumentar a CE de 1,4 até 1,6-1,7 MS dependendo do estadio das plantas. O pH podemos deixar flutuando entre 6,0 e 6,3.

Na optava semana de floração as plantas receberão as mesmas irrigações e dosagens que a semana anterior só aumentará a CE até 1,8 MS.

Na nona e ultima semana de floração aumentará a dosagem das irrigações deixando todas em 2 minutos com o pH ajustado em 6,2 junto com uns níveis de CE o mais baixos possível. Podemos aproveitar para aplicar um Flush para que nós ajudar a deixar as plantas mais limpas de sais e nutrientes que contem no seu metabolismo que contem no seu metabolismo e conseguir deste modo um melhor sabor, olor, cor final das flores ou frutos.

 

 

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7. Reciclagem e reutilização da lã de rocha:

A lã de rocha é um produto que dependendo do formato que seja adquirido poderemos ou não reutilizar. Por exemplo, o Mapito (lã de rocha flocos) perfeito para encher vasos pode se reutilizar sem problema algum só tem que lavar vem na água para retirar as raízes do anterior cultivo e também as sais minerais que podem ter ficado retidas. Umas vez lavado teremos que estabilizar este como sempre numa solução nutritiva com um ph de 4.5 durante 24h até que fique estabilizado a um ph de 5.5.

Os Slabs, Big Bocks e blocos de menor tamanho não podem ser reutilizados pelo que teremos que enviar a reciclar. A lã de rocha ao não ser um produto biodegradável teremos que encaminhar a um lugar de reciclagem de resíduos especiais.        

Observações: O projeto esta orientado num clima temperado pelo que o tempo das irrigações não é fixo, caso o clima de sua região seja mais quente ou úmido terá que aumentar o tempo das irrigações de 2 minutos para 5 minutos e de 100-150 ml para 250-300 ml por planta.

Alex Balduzzi

3 comentários sobre “Cultivando em Lã de Rocha da Cultilene”

  1. Alex, Tudo bem?
    moro em Tauá – CE
    Estava lendo sobre o cultivo em lã de rocha e achei muito interessante.
    Fiquei, porem, com algumas dúvida:
    em um slab posso plantar quantos pés de tomate?
    como esse sistema pode ser viável financeiramente no cultivo do tomate, por exemplo, dado os preços praticados no mercado nacional para as diversas formas em que são vendidas a lã de rocha?
    qual a produtividade mínima que um tomateiro teria que ter para que esse sistema de plug + block + slab seja financeiramente rentavel?

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